Escravidão. Palavra que defino como relação entre servidor e servido, relação de submissão, sofrimento e de um dever que nunca deveria ser concedido por ser explorador. Assim que vejo minha dor entre um coração escravo e um senhor de engenhos inalcançável, que não enxerga quem vive a se rastejar aos seus pés. O que coração poderia fazer? Um pobre mulato acostumado a viver sempre a mercê e aos caprichos do grande senhor, nem tão grande assim, mas de voz e pulso autoritários, de olhos azuis e cabelos claros que lhe obrigava tarefas com voz de ordens sabendo do poder que tinha sobre o criolo. Como podera fugir de algo que se era destinado a perpetuar? Somente uma princesa Isabel poderia o libertar. Concedido, mesmo com a liberdade e tudo esclarecido, as marcas das seu corpo não eram metade do que se passava dentro do pobre coração. Ainda pobre, sofrido e deixado, nunca passaria de um pobre rejeitado pelo grande senhor de engenho que seguiria sem olhar pro lado e nunca reconhecendo o valor de quem não merecia ser um escravo.
“Porque você não sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora.”
— Tati Bernardi.





